Ministério da Saúde audita UTIs do Hospital da Criança em São Luís após denúncias de mortes e falhas no atendimento | G1
Denúncias apontam crescimento de mortes nas UTIs no Hospital da Criança em São Luís
Técnicos do Ministério da Saúde estiveram, na manhã desta terça-feira (14), no Hospital da Criança Odorico Amaral de Matos, em São Luís, para apurar denúncias relacionadas ao funcionamento das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) pediátricas da unidade.
A auditoria é conduzida pelo Departamento Nacional de Auditoria do Sistema Único de Saúde (DenaSUS) e foi aberta depois que relatos sobre mortes de crianças e supostas falhas no atendimento foram encaminhados à Ouvidoria do Ministério da Saúde.
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A inspeção é coordenada pelo diretor do DenaSUS, Rafael Bruxellas, e conta com a participação de outros quatro técnicos da pasta. Ao todo, cinco integrantes trabalham na auditoria. A expectativa é que o relatório com as conclusões da equipe seja finalizado nos próximos dias.
As denúncias envolvendo o hospital também são investigadas pelo Ministério Público do Maranhão (MP-MA), pelo Ministério Público Federal (MPF) e por outros órgãos de controle. Algumas famílias registraram ainda ocorrências na polícia.
Até o momento, não há conclusão oficial que estabeleça as causas das mortes ou uma relação direta entre os óbitos e as mudanças realizadas na gestão das UTIs.
Entre os casos investigados está o de Kerliane, de 7 anos, que morreu após ser atendida e internada no Hospital da Criança.
Segundo a mãe, a bombeira civil Jainara Sousa dos Santos, a menina foi levada à unidade no dia 23 de abril com dor na perna. Dois dias antes, ela havia sofrido uma queda no quintal de casa e machucado a região do glúteo.
Jainara afirma que a filha realizou exames de sangue e uma tomografia. Após a identificação de um coágulo, a criança teria recebido alta sem passar por drenagem.
“Minha filha não estava tão mal, mas ela fez uns exames de sangue e deu um pouco de anemia. Se deu alguma infecçãozinha leve, eles não falaram logo e deram alta pra minha filha”, relatou Jainara.
Dois dias depois, a mãe retornou ao hospital porque a dor havia aumentado e a menina começou a apresentar vômitos. Novos exames teriam apontado uma infecção, além de alterações no pulmão, no fígado e nos rins.
Kerliane foi entubada em uma área conhecida como “grande sala”, onde permaneceu por dois dias antes de ser transferida para uma UTI. A menina morreu no dia 29 de abril.
No atestado de óbito constam como causas da morte parada respiratória, sepse, pneumonia hematogênica e artrite séptica, uma infecção bacteriana grave que atinge as articulações.








